Talvez um dia eu também me liberte das paixões. Enquanto não acontecer, eu as dividirei obsessivamente com vocês


Quem gosta de pegadinhas deveria se matar

Por Marco Antonio Araújo, em http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/

 

foto 1 Quem gosta de pegadinhas deveria se matar

Os milhões de seres humanos que se divertem com pegadinhas é que deveriam se matar. Ou, ao menos, deixarem de ser hipócritas com o escândalo que levou ao suicídio da enfermeira do hospital King Eduardo II, vítima de um trote de uma rádio australiana.

Desde sábado que dois radialistas estão sendo massacrados por terem enganado de forma bizarra a funcionária ao se passarem pela rainha e pelo príncipe Charles para perguntar pelo estado da princesa Kate, internada por conta de náuseas provocadas por sua gravidez.

Jacintha Saldanha tinha 46 anos, era casada e mãe de dois filhos adolescentes. Ao receber a falsa ligação, passou a chamada a uma colega do serviço onde a esposa do príncipe William estava, e esta forneceu notícias da paciente aos charlatões.

Piada sem graça, mas que foi veiculada diversas vezes, inclusive depois que chegou a notícia da morte da funcionária do hospital. Haja morbidez e ganância.

A novidade aqui é o desfecho trágico. Porque pegadinhas como essa são feitas diariamente, pelo simples motivo que fazem sucesso em programas de rádio e TV infestados de apresentadores debilóides que fazem de tudo para diverter sua audiência composta de energúmenos.

Não foram os dois radialistas que levaram a enfermeira à morte. Eles são, na verdade, meros instrumentos e os menos culpados. O remorso que dizem estar sentindo já é uma sentença suficientemente cruel e perpétua. Quem deveria pedir desculpas à familia da vítima são aqueles que tornaram esse trote um fenômeno de audiência e que até agora bate recordes de acesso via internet.

Esse tipo de humor rasteiro e  infantil está em todos os canais. De videocassetadas a câmeras ocultas, humilhar e expor pessoas ao ridículo é um esporte planetário. Não venham agora com discursos indignados e lágrimas de ocasião.

No Brasil, milhares de trotes diariamente atormentam atendentes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Na TV, meninas disfarçadas de fantasma sujeitam pessoas a um ataque cardíaco em um elevador. Isso para não falar das pegadinhas "do bem", em que prêmios são oferecidos aos sobreviventes.

Humor negro e sem limites só é praticado porque existem espectadores e ouvintes sádicos. Que morram todos.

Original em http://noticias.r7.com/blogs/o-provocador/2012/12/10/quem-gosta-de-pegadinhas-deveria-se-matar/



Escrito por Rogério Reis às 14h50
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Privatize já!

Por Rodrigo Constantino, O Globo

Milton Friedman alertava que se o governo fosse colocado para administrar o deserto do Saara, em cinco anos faltaria areia no local. O que aconteceria se o governo fosse o empresário em um país com abundância de fontes baratas de energia?

Sabemos a resposta: apagões frequentes, necessidade de importar combustível e energia cara para os consumidores. É importante notar que este resultado não depende tanto assim de qual partido está no poder, ainda que a capacidade de o PT causar estragos maiores não deva jamais ser ignorada. Mas o principal ponto é que o mecanismo de incentivos na gestão estatal é totalmente inadequado.

Quando o empresário depende do lucro para sobreviver no livre mercado, a busca por excelência passa a ser questão de vida ou morte para ele. Manter a elevada produtividade de sua empresa e atender bem à demanda de seus clientes é crucial para ele prosperar. Para tanto, ele terá de estimular seus bons funcionários, e punir os incompetentes.

Já nas estatais, os “donos” somos nós, sem poder algum de influência em sua gestão, que fica sob o controle de políticos e burocratas cujos interesses diferem dos nossos. A troca de favores políticos para a “governabilidade”, o uso da empresa como cabide de empregos para apaniguados ou instrumento de política nacionalista, o descaso com o “dinheiro da viúva”, estas são as características comuns nas estatais.

Não é coincidência a enorme quantidade de escândalos de corrupção que é divulgada na imprensa envolvendo estatais, tampouco o fato de os setores dominados pelo Estado serem os mais precários.

Portos e aeroportos, os Correios, os transportes públicos, as escolas e os hospitais administrados pelo governo, o Detran, os presídios, enfim, basta o Estado intervir muito para estragar qualquer setor da economia.

Quando um partido com mentalidade mais estatizante assume o governo, a situação tende a piorar bastante. A arrogância de que o governo pode fazer melhor do que a iniciativa privada acaba levando a um nefasto modelo “desenvolvimentista”. É o caso do governo atual. A presidente Dilma acredita que é realmente capaz de administrar os importantes setores de nossa economia.

Isso explica a quantidade assustadora de intervenções arbitrárias que tanto mal têm causado ao país. A Petrobras virou símbolo de incompetência, com crescimento pífio da produção e enorme destruição de valor para seus milhões de acionistas.

Seu valor de mercado já caiu pela metade desde 2010, mesmo com o preço do petróleo estável no mundo. Enquanto isso, o valor da Ambev quase dobrou no mesmo período e chegou a ultrapassar o da estatal.

Os bancos públicos se transformaram em instrumentos de populismo, fornecendo crédito barato a uma taxa de crescimento irresponsável, que vai acabar produzindo uma bolha imobiliária no Brasil, tal como vimos nos EUA, na Irlanda e na Espanha. A Caixa expandiu sua carteira em 45% nos últimos 12 meses!

O BNDES virou um megaesquema de transferência de recursos dos pagadores de impostos para grandes empresas próximas ao governo. Grupos como JBS, Marfrig e EBX, do bilionário Eike Batista, receberam bilhões em empréstimos subsidiados.

A Eletrobras já perdeu cerca de 70% de seu valor de mercado apenas este ano, pois o governo resolveu usar a estatal como centro de custo para sua meta de reduzir as tarifas de eletricidade na marra, em vez de cortar os impostos (que correspondem a 45% da tarifa final).

Como o cobertor é curto, vai faltar recurso para novos investimentos, prejudicando o futuro do setor.

Existem outros exemplos, mas o ponto está claro: o governo costuma ser um péssimo empresário, e isso se deve a fatores estruturais. Quando um partido convencido de sua suposta clarividência chega ao poder, o estrago por meio das estatais tende a ser ainda pior.

Estamos vendo exatamente isso na gestão Dilma. Suas medidas estancaram o crescimento econômico, mas a inflação continua elevada.

O Brasil, para usar um termo dos psicólogos, é hoje um caso borderline. O governo sofre do transtorno de personalidade limítrofe. Ele ainda não sabe se quer fazer parte do grupo dos vizinhos mais decentes, como Chile, Colômbia e Peru, ou do “eixo do mal”, com a Venezuela, Argentina, Bolívia e Equador.

Pelos sinais emitidos até aqui, ele parece gostar é do fracasso socialista mesmo.

Aproveito para convidar todos ao lançamento do meu novo livro “Privatize Já!”, pela editora Leya, amanhã na Livraria Travessa do Shopping Leblon, às 19h. Haverá um debate com Elena Landau antes dos autógrafos.

Rodrigo Constantino é economista

 

Lido em: http://oglobo.globo.com/pais/noblat/post.asp?cod_post=476716&ch=n



Escrito por Rogério Reis às 14h40
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As piores músicas e os piores leitores

Por Álvaro Pereira Junior

 "Mesmo quando medíocre, a arte popular é muito mais interessante do que certo tipo de pretensa "alta cultura", além de ser muito melhor para resenhar." Pauline Kael, crítica norte-americana de cinema

Com a precisão característica, Pauline Kael escreveu a frase acima para um discurso na semana passada, em Nova York, na reunião anual do Círculo Nacional de Críticos Literários dos EUA. Muito doente, Pauline nem teve condições de receber um prêmio dado por seus colegas. Mandou um amigo, Roy Blount Jr., que leu o texto preparado por ela, uma das maiores críticas de arte da história.

A dezenas de milhares de quilômetros ao sul de Nova York, em São Paulo, Brasil, as palavras de Pauline Kael são a melhor resposta possível para boa parte dos 300 e-mails recebidos por esta coluna ao longo da semana passada. Com raríssimas exceções, a correspondência eletrônica trazia ataques grosseiros e toda a sorte de baixezas em reação a uma lista, publicada na última segunda-feira, com as 50 piores músicas de todos os tempos na opinião de "Escuta Aqui".

Claro que esperava uma resposta numerosa a esse tipo de relação, intrinsecamente polêmica e idiossincrática. Mas confesso que fiquei estarrecido com a virulência que rasteja junto à pobreza de argumentos dos missivistas.

Fanáticos por MPB, rock progressivo e rock nacional do tipo Legião Urbana e Engenheiros do Hawaii abriram seus dicionários de palavrões e ofensas animalescas. Em geral, acusam o colunista de "insensibilidade" e "ignorância", por não saber admirar "a poesia" e as "mensagens bonitas" de artistas como Gonzaguinha e Milton Nascimento. Em seguida, depois de deixarem bem claro que o ignorante sou eu e as pessoas bem-pensantes são eles, vomitam toneladas de impropérios que dão um significado inteiramente novo à expressão "falta de educação".

A repetição de chavões e desafios baratos me fez lembrar o que seria a principal aflição dos psiquiatras: ouvir, hora após hora, problemas de pessoas que se julgam únicas e especiais, mas na verdade contam histórias idênticas às do maluco anterior, que acabou de sair do consultório. Sem rigoroso acompanhamento psicológico, quem acaba enlouquecendo é o psiquiatra, soterrado pelo lodo da mesmice humana.

Com tom altivo, em meio aos xingamentos mais imundos, basicamente todas as críticas batiam na mesma tecla: "Como você faz uma lista de piores e não inclui nada de axé, pagode e sertanejo?" Ao relacionarem o que consideram lixo musical (em oposição à "inteligência" de Caetano Veloso e Titãs), essas pessoas escolheram uma vítima em especial: o palhaço Tiririca, que fez sucesso há alguns anos com "Florentina", citado em mais de cem mensagens.

A resposta a essa gente está na frase de Pauline Kael que abre a coluna de hoje. Axé, pagode, sertanejo e Tiririca ficaram de fora porque são muito mais interessantes em seu avassalador apelo popular do que todos os grandes nomes da MPB "inteligente" e do rock brasileiro somados.

É preciso deixar muito claro o que move 99% dessa horda que acha Cazuza um gênio mas torce o nariz para É o Tchan: preconceito. O mais sórdido e repulsivo preconceito de classe.

Neste mar brasileiro de miséria, só uma coisa é tão atrasada quanto a barbárie de gravata encastelada no poder: é a classe média de nariz empinado, pronta a pisar em cima de qualquer um que julgue estar um milímetro abaixo de seu "nível social".

Tiririca se tornou alvo preferencial dessa massa disforme porque é nordestino, feio e desdentado. Mas pergunte a qualquer estudioso sério de MPB, como o crítico José Ramos Tinhorão, e tenha a certeza de só ouvir elogios a respeito de Tiririca. O trabalho desse palhaço cearense tem muito mais raiz popular e brasileira do que qualquer um dos ídolos da classe média que me escreveu com seu discurso "patriótico".

Só que cantiga de roda nordestina pega mal, é coisa para a empregada escutar. "Boas" são as aliterações do nível de "vovô viu a uva" e "a barba do bode é branca" cometidas pelo "intelectualizado" Humberto Gessinger, dos Engenheiros do Hawaii. Ou a "modernidade" de aluguel de Gilberto Gil, correndo desesperadamente atrás de qualquer moda, seja ela o movimento punk ou a explosão da Internet.

Não tenho nenhuma dúvida em afirmar que as letras do impagável Tiririca, coladas na gíria sintética das ruas, estão anos-luz à frente de qualquer experimentalismo da suposta nova MPB, de artistas como Chico César e Arnaldo Antunes.

Essa classe média que se emociona com o populismo de Gonzaguinha (e vê nisso "protesto" e "poesia"), que acha "cabeça" as letras de jardim-de-infância de Renato Russo, é a mesma classe média que trata a empregada como escrava e fala aos berros com o manobrista na saída da boate.

Claro que "Escuta Aqui" não podia esperar flores e música de violinos como reação à lista dos piores. Afinal, ela incluía artistas que, mais do que fãs, têm devotos. Óbvio também que o debate está no próprio espírito deste espaço, que se esforça ao máximo para manter as características de metralhadora giratória e não dar sossego a ninguém. Tudo isso faz parte do jogo, e muitas vezes recebi críticas inteligentes e bem-argumentadas que me fizeram redefinir os rumos de "Escuta Aqui".

Mas o nível Neandertal da imensa maioria das mensagens desta semana não deixa espaço algum para uma polêmica interessante.

Com a crueza que marca esta nova forma de discurso, o e-mail, o que recebi não passa do triste reflexo de nossa classe média supostamente branca, que cultua seus ídolos como se fossem sumos-sacerdotes de um vago espírito nacional. Que é ainda mais gananciosa e atrasada que seus dirigentes. Que se julga bem-formada, acredita que Gonzaguinha era um grande poeta, mas não aceita o sucesso de músicos em sintonia com o gosto popular, como a maioria dos grupos de axé, pagode e sertanejo.

Rock cabeça, MPB "inteligente", fãs "sofisticados", políticos ladrões. Essa gente toda se merece, que Pauline Kael os ilumine.

Original em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm2003200009.htm



Escrito por Rogério Reis às 13h05
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Catarina: o mundo da moda é careta, e você não é

Por André Forastieri. no seu blog http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastier

Catarina Migliorini, a brasileira que vendeu a virgindade, continua rendendo. Primeiro, topou leiloar sua primeira vez, em troca de dinheiro e de aparecer em um documentário-reality-show australiano. Agora, porque foi convidada e desconvidada para desfilar no Fashion Rio, pela grife TNG. A marca é focada em garotas adolescentes. Escândalo, gritaram pra todo lado. A TNG cancelou a participação dela na passarela. Não entendi a grita.

Tem mil meninas sendo vendidas todo dia por este País afora. A história de Catarina deu gancho para vários veículos fazerem reportagens a respeito. Li em um jornal que uma moça bonita, virgem, entre 13 e 17 anos, vale até R$ R$ 1.500 no interior do Pará, dinheiro que naturalmente não verá. É venda, não aluguel. O novo dono fará dela o uso que quiser. Um programa com uma adolescente lá por esses cantos chega a custar só R$ 10. Você leu direito: dez reais.

 Catarina: o mundo da moda é careta, e você não é

Isso sim é razão pra escândalo. Eu gostaria muito que essas grandes grifes, em vez de trazer Catarina da Austrália, trouxessem as prostitutas-mirins da Amazônia para desfilar. Se é pra fazer escândalo, vamos fazer de verdade, e com um objetivo útil: resgatar as meninas que tiveram suas virgindades e juventudes vendidas. E não entendo de jeito nenhum a grita de pessoas de cabeça aberta, feministas e tal, como algumas amigas minhas.

Tá, virgindade é um valor fora de moda, deveria ser enterrado junto com a burca etc. Mas espera aí: Catarina tem 20 anos. É dona do corpo dela e maior de idade. Decidiu de pura e espontânea vontade leiloar sua virgindade em um reality show. Deu sorte: o leilão lhe rendeu US$ 780 mil. Por uns minutinhos de desconforto, por transar logo pela primeira vez na vida com um desconhecido?

Tá bem pago, ou ela achou que está. Se souber usar a fortuna, não precisa trabalhar para o resto da vida.

Na época, Catarina justificou: se você faz isso uma vez só na vida, não é prostituta. Bem, a definição de se prostituir é trocar serviços sexuais por dinheiro. Mas entendo a visão de Catarina. Ela trocou sua virgindade pela liberdade de uma conta de banco forrada. Foi com um único cara, e já pode se aposentar. Está lá no site Virgins Wanted, a foto dela, com o carimbo SOLD, vendida. Mas ela não se vendeu, só se alugou por uns minutos.

catarina virgem  Catarina: o mundo da moda é careta, e você não é

Com sua atitude ela reforçou estereótipos machistas? Ora, vamos ter a santa paciência. A vida é dela, e ela não tem obrigação nenhuma de ser politicamente correta. E aliás, todas essas grifes fazem o quê? Reforçam estereótipos do que é ser mulher, homem, elegante etc. O diretor da TNG, aliás, disse que queria Catarina na passarela para demonstrar que o mundo da moda não é preconceituoso. Ao ceder às pressões, demonstrou justamente o contrário.

Catarina não precisa do Fashion Rio. É celebridade instantânea e internacional. Deu entrevistas pelo mundo afora, apareceu, causou etc. Não foi modelo por um dia, mas certamente logo estará decorando as páginas de alguma revista masculina. Não é uma beldade: é uma garota normal de sua idade, e tem suas curvinhas. Orna bem mais com a Playboy que com um desfile de moda, onde destoaria dos varapaus.

Pode ser que eu esteja sendo machista e insensível. Não seria a primeira vez... mas desconfio que muitas (a maioria?) das adolescentes do mundo, e do Brasil também, topariam vender sua virgindade por essa montanha de grana. Se a virgindade é um valor tão obsoleto, como garantem minhas amigas feministas, qual é o problema? Catarina, o corpo é seu, a vida é uma só, e é sua. Vai sem medo, pela sombra, e com a benção do tio...

 

Original em: http://noticias.r7.com/blogs/andre-forastieri/2012/11/08/catarina-o-mundo-da-moda-e-careta-e-voce-nao-e/



Escrito por Rogério Reis às 12h02
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Brasil, esta é a sua cara:

 

Virgindade de meninas índias vale R$ 20,00 no Amazonas

 

Por KÁTIA BRASIL, ENVIADA ESPECIAL A SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA (AM), para o jornal Folha de São Paulo

 

No município amazonense de São Gabriel da Cachoeira, na fronteira do Brasil com a Colômbia, um homem branco compra a virgindade de uma menina indígena com aparelho de celular, R$ 20, peça de roupa de marca e até com uma caixa de bombons.

A pedido das mães das vítimas, a Polícia Civil apura o caso há um ano. No entanto, como nenhum suspeito foi preso até agora, a Polícia Federal entrou na investigação no mês passado.

Doze meninas já prestaram depoimento. Elas relataram aos policiais que foram exploradas sexualmente e indicaram nove homens como os autores do crime.

Entre eles há empresários do comércio local, um ex-vereador, dois militares do Exército e um motorista.

As vítimas são garotas das etnias tariana, uanana, tucano e baré que vivem na periferia de São Gabriel da Cachoeira, que tem 90% da população (cerca de 38 mil pessoas) formada por índios.

Entre as meninas exploradas, há as que foram ameaçadas pelos suspeitos. Algumas foram obrigadas a se mudar para casas de familiares, na esperança de ficarem seguras.

A Folha conversou com cinco dessas meninas e, para cada uma delas, criou iniciais fictícias para dificultar a identificação na cidade.

M., de 12 anos, conta que "vendeu" a virgindade para um ex-vereador. O acerto, afirma a menina, ocorreu por meio de uma prima dela, que também é adolescente. "Ele me levou para o quarto e tirou minha roupa. Foi a primeira vez, fiquei triste."

A menina conta que o homem é casado e tem filhos. "Ele me deu R$ 20 e disse para eu não contar a ninguém."

P., de 14 anos, afirma que esteve duas vezes com um comerciante. "Ele me obrigou. Depois me deu um celular."

Já L., de 12 anos, diz que ela e outras meninas ganharam chocolates, dinheiro e roupas de marca em troca da virgindade. "Na primeira vez fui obrigada, ele me deu R$ 30 e uma caixa com chocolates."

Foto: Adriano Vizoni/Folhapress

DEZ ANOS

Outra garota, X., de 15 anos, disse que presenciou encontros de sete homens com meninas de até dez anos.

"Eu vi meninas passando aquela situação, ficando com as coxas doloridas. Eles sempre dão dinheiro em troca disso [da virgindade]."

P. aceitou depor na PF porque recebeu ameaças de um dos suspeitos. "Ele falou que, se continuasse denunciando, eu iria junto com ele para a cadeia. Estou com medo, ele fez isso com muitas meninas menores", afirma.

Familiares e conselheiros tutelares que defendem as adolescentes também são ameaçados. "Eles avisaram: se abrirem a boca a gente vai mandar matar", diz a mãe de uma menina de 12 anos.

Original em: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1179864-virgindade-de-meninas-indias-vale-r-20-no-amazonas.shtml#anc6839279




Escrito por Rogério Reis às 19h51
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Morte, que talvez seja o segredo desta vida

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Raul Seixas in "Canto para minha morte"



Escrito por Rogério Reis às 00h13
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“Kit Gay”, machismo, intolerância? Chame o Pepe Mujica

Por Leonardo Sakamoto, em  blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br

O Senado do Uruguai aprovou, nesta quarta (17), lei que autoriza a interrupção da gravidez até a 12a semana para qualquer mulher, com exceção das vítimas de estupro – que terão duas semanas a mais para fazer a opção. O texto, que havia sido aprovado na Câmara dos Deputados, segue agora para a certa sanção presidencial de Pepe Mujica. A lei prevê que as interessadas em fazer o aborto recebam orientação sobre as consequências da interrupção da gravidez e as opções disponíveis e tenham um tempo de reflexão – tal como ocorre em alguns países onde o direito ao aborto é garantido. Por fim, a decisão final caberá apenas à mulher – como as coisas deveriam ser.

A oposição do país de 3,5 milhões de pessoas quer um plebiscito sobre o tema, correndo o risco de uma vexatória derrota, uma vez que a mídia apontou que a maioria da população é favorável à lei.

Ex-preso político na luta contra a ditadura uruguaia (1973-1985), Mujica  – que renegou o palácio presidencial e continuou morando em sua chácara na periferia de Montevidéu, usa um Fusca 1987, doa a maior parte de seu salário (ficando com menos de R$ 3 mil), tem ojeriza a gravatas e manteve um estilo sem (rufem os tambores) ostentação – caminha para aprovar outros dois projetos importantes.

O primeiro, que legaliza o casamento homoafetivo (a união civil já é reconhecida), deve ser aprovado até o final do ano. O outro prevê a legalização da maconha, com consumo controlado pelo Estado, que também seria responsável por sua produção e distribuição.

O que mostra, mais uma vez, que podemos até ganhar a discussão sobre quem tem um futebol mais bonito e eficiente mas, em termos de civilidade, o Brasil tem a aprender com o irmão do Sul.

Não há força suficiente entre os representantes políticos mais progressistas no Congresso Nacional brasileiro para ampliar a efetividade dos direitos humanos. Da mesma forma, as bancadas religiosas não conseguem juntar número o suficiente para um movimento contrário, ou seja, o de cancelar direitos já existentes. Sobra, então, para o Supremo Tribunal Federal.

Pesquisas com células-tronco embrionárias, união civil homoafetiva, direito a reivindicar a descriminalização das drogas, punir a violência contra a mulher mesmo sem a denúncia por parte desta foram decisões do Supremo que garantiram mais direitos. Não perguntei para o crucifixo que está à espreita no plenário do STF se todas essas decisões tomadas pelo ministro da corte demonstram um padrão. Mas há esperança que sim. No que pese que a sabatina de Teori Zavascki, novo indicado para ministro do STF, continuará pela via conservadora do ex-ocupante da vaga, Cezar Peluso. Afinal de contas, meia dúzia de autodeclarados representantes da Verdade (se é que a Verdade existe…) não podem decidir se o restante da população terá ou não dignidade.

Tenho inveja do país que consegue avançar através da decisão clara de seus representantes políticos em defesa da dignidade humana, como foi com o Uruguai.

Como já disse aqui, apesar da influência de grupos religiosos contrários à mudança, mais cedo ou mais tarde, leis serão alteradas no Brasil também, garantindo dignidade, combatendo o preconceito, ampliando as liberdades. O problema é que essa marcha está sendo bem lenta quando, em verdade, deveria correr rápida para dar tempo às pessoas que hoje vivem de desfrutarem uma nova realidade.

Ao defender o direito ao aborto (que é diferente da defesa do aborto em si, pois não há pessoa em sã consciência que ache a interrupção da gravidez uma coisa divertida de ser feita), o Estado uruguaio preocupa-se com as mortes e danos permanentes à saúde das mulheres pobres que realizam abortos ilegais. E abre caminho para a efetivação do direito da mulher ao seu próprio corpo. Que é dela, não do feto.

É extremamente salutar que todos os credos tenham liberdade de expressão e possam defender este ou aquele ponto de vista para os seus fiéis. Mas o Estado brasileiro, laico (sic), não pode se basear em argumentos religiosos para tomar decisões de saúde pública ou deixar de ampliar direitos.

A justificativa de que o embrião tem os mesmos direitos de uma cidadã nascida é, no mínimo, patético. Da mesma forma, dá vontade de fazer cafuné em quem defende que os heterossexuais sejam cidadãos de primeira classe em detrimento aos demais. Acho que só com muito carinho é  possível fazer um intolerante entender que não pode defender que suas crenças, físicas ou metafísicas, se sobreponham à dignidade dos outros.

Consciência não se aprende na escola, nem é reserva moral passada de pai para filho nas famílias. Mas sim na vivência comum na sociedade, na tentativa do conhecimento do outro, na busca por tolerar as diferenças. O Congresso Nacional daqui, que hoje está sentado em cima de propostas de mudança, é fruto do tecido social em que está inserido. Ou seja, eles somos nós. Para mudá-los, precisamos, mudar o lado de cá.

Começando por enterrar a idiotice de chamar um material contra a homofobia, seja ele produzido pela gestão federal do PT ou estadual do PSDB, de “Kit Gay”. Para isso, sugiro uma opção que poderia ser feita com a contribuição dos colegas jornalistas que cobrem campanhas eleitorais. Sim, eles mesmos, que são xingados, vilipendiados, ultrajados, vítimas de ironia e, apesar disso, respiram fundo e sorriem, tomando um chope claro ou escuro ao final do expediente.

Que tal lançarmos um “Kit Bom Senso” para ser distribuído nos comitês de candidatos que pregam a intolerância antes do início da campanha eleitoral? Explicaríamos, com o kit, que não é pregando a violência contra o semelhante que conseguiremos fortalecer a cidadania no Brasil. Pelo contrário, isso é exatamente o oposto que se espera de um gestor público. Se sobrarem unidades, sugiro que sigam também para o Congresso Nacional, para algumas denominações religiosas e, por que não, para o próprio governo federal que, diante de chiadeiras infantis de pseudo-lideranças, voltou atrás e não distribuiu o material contra a homofobia que havia produzido.

E se, mesmo assim, o pessoal continuar com essa esbórnia, chama o Mujica.

Original em: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2012/10/18/contra-o-machismo-e-a-intolerancia-chame-o-mujica/



Escrito por Rogério Reis às 00h08
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O Google lembra-me de Herman Melville e sua "Moby Dick". "Chamai-me Ismael..." Já nem lembro quantas vezes reli as palavras que iniciam a jornada em busca da grande baleia branca. Livros sempre se tornam diferentes a cada vez que lemos. Experiências, gostos, preconceitos mudam ao longo dos anos. O que não muda é o prazer da leitura, o prazer da descoberta do mundo através das palavras.


Escrito por Rogério Reis às 01h22
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O julgamento do Século

Por Juca Kfoury, na em sua coluna da Folha de São Paulo de 14/10/2012

Condenação de Armstrong está para o esporte assim como a de Dirceu está para a política

LANCE ARMSTRONG, o ciclista sete vezes campeão da Volta da França, foi o herói de muita gente depois que venceu um câncer nos testículos e voltou a ganhar provas em cima de provas.

Seria o exemplo de superação mais impressionante da história do esporte, maior até que Ronaldo Fenômeno e suas quatro voltas por cima, embora uma coisa seja a gravidade da doença, e outra, o esforço para o atleta superar seguidas cirurgias no joelho.

Armstrong era o cara limpo numa atividade fartamente conhecida pelo uso de doping, tanto que dos nove últimos vencedores da Volta da França, a mais importante competição do ciclismo, nove deram positivo, três antes dele, dois depois.

O dossiê revelado nesta semana com mais de mil páginas e 26 depoimentos de ciclistas, 15 de sua equipe, não deixa pedal sobre pedal e tira definitivamente a máscara e o capacete de Armstrong.

Nosso herói era uma fraude e tão acostumado a mentir e a dissimular que mantém o discurso de que está sendo injustiçado e perseguido pelos organismos esportivos que o ajudaram a virar ídolo.

Parece às vezes até mesmo acreditar em seu discurso, convencido pela própria falsidade, situação amplamente conhecida nos consultórios psiquiátricos.

Tudo porque sempre soube que o mundo do ciclismo é assim mesmo, ou se dopa ou não se ganha, e ele optou por se dopar mais e melhor que os concorrentes, ao estabelecer uma rede sofisticada, e altamente lubrificada financeiramente, certo de que estaria protegido.

Pois seu mundo caiu.

José Dirceu, o líder estudantil que foi preso, virou guerrilheiro e mais poderoso ministro do governo Lula, simbolizou como poucos uma geração inteira -a de 1968.

E caiu na esparrela de usar as armas da burguesia contra a burguesia, comprá-la para fazer o bem. Convenceu-se disso a tal ponto que se deixou encantar pelas maravilhas da vida burguesa e virou um grande burguês, traído por raposa muito mais experiente nessa coisa de submundo.

Agora não falta gente boa para dizer que o STF mostrou sua face de defensora das elites, com quem tem compromissos de classe.

Pode ser, embora Joaquim Barbosa, escolhido por Lula, seu eleitor e de Dilma, de origem quase tão humilde como a do ex-presidente da República, definitivamente não caiba neste figurino.

Como não cabe reduzir um Celso de Mello a simplificação tamanha ou esquecer que a ministra Cármen Lúcia deixou claro que não condenava o passado de ninguém, mas o erro cometido.

E o erro está comprovado, não só pelo domínio do fato -algo que horroriza o juridicismo positivista, mas colabora com o jornalismo investigativo.

Sempre tive Armstrong como paradigma e sou da tal geração de 1968.

Razão pela qual ando macambúzio e me sentindo uma verdadeira besta.

Original em http://blogdojuca.uol.com.br/2012/10/o-julgamento-do-seculo/



Escrito por Rogério Reis às 22h01
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Escrito por Rogério Reis às 14h03
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Seja um parceiro da Cultura

Vale a pena ser parceiro do projeto  "Modinhas", novo Cd da cantora Érika Martins.

Moda é um gênero de composição portuguesa, cuja denominação é atribuída ao compositor, cantor e violeiro Domingos Caldas Barbosa. Ela chega ao Brasil com a Corte e logo ganha as ruas, como música para serenata. Na terrinha, Moda virou Modinha. Para muitos pesquisadores é a primeira manifestação popular musical civilizada tipicamente brasileira.

Não foram poucos os resgates feitos por Érika Martins ao longo de sua carreira. Entoou Namorinho de Portão, do Tom Zé, na estreia do Penélope e enveredou pelo cancioneiro da Jovem Guarda no projeto Lafayette & Os Tremendões. Há bem pouco tempo, caiu de amores pelas Modinhas e são elas que agora saem do velho baú para dar pano para manga do novo disco.


Ainda pouco explorada por artistas nacionais contemporâneos, o estilo de temática amorosa e rebuscadas melodias despertou na cantora a vontade de inventar moda, ou melhor, reiventar Modinha.


São 11 faixas contendo antiquíssimas canções de autores como Villa Lobos, Manuel Bandeira, Luiz Vieira e Sérgio Bittencourt e também novas modinhas de autoria da própria Érika, do Pedro Veríssimo e do Júpiter Maçã. O repertório sentimental, denso, ganhará unidade e frescor com a leitura pop, contemporânea e até futurista imaginada por Érika. A ideia é que em cada faixa experimente-se a sensação de viajar no tempo, para trás e para frente.


Participam do disco Otto, o duo indie chileno Perrosky, Gabriel Thomaz do Autoramas e Fred, Ex-Raimundos.


A produção musical está a cargo de Felipe Rodarte, produtor também da AVA, Thalma de Freitas e Dj Negralha e do Lafayette & os Tremendões.


O disco está sendo gravado e mixado no Estúdio Toca do Bandido, no Rio de Janeiro.


Direção artística e concepção por Constança Scofield.

 

Para ser parceiro da Érika nesse incrível projeto é só acessar: http://www.embolacha.com.br/projeto/251-modinhas-da-erika-martins



Escrito por Rogério Reis às 17h36
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"Não acredite no que eu digo, pois é a minha experiência e não a sua. Experimente, indague e busque."

Buscar na Web ""



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Escrito por Rogério Reis às 18h24
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Scracho – Mundo a Descobrir

Por: Tony Bellotto.

 

"O mundo a descobrir do Scracho começa pela compreensão do nome da banda.
Se Scracho é uma mistura improvável do substantivo escracho, mais a batida jamaicana
do ska, com a adição do scratch - a mixagem onomatopeica com que DJ’s incorporaram
o som do vinil arranhado às suas mixagens -, então teremos não só um, mas muitos
mundos a descobrir neste cd.

O Scracho é mesmo um escracho – no sentido de esculhambação – na concepção
retrógrada de que bandas jovens só sabem falar de amor e de vai e vem juvenil.
Como diziam aqueles meninos de Londres, "never mind the bollocks". Em Mundo a Descobrir
as canções do Scracho revelam consciência do caos lá fora, e da Torre de Babel que
vivemos construindo mesmo sem querer. E assim acabam apresentando um outro
significado do verbo escrachar, que é o de expor algo ao conhecimento de todos.

O mundo que nos expõe o Scracho é, como eles dizem, um mundo inteiro a
descobrir de timbres, harmonia e som. A música do Scracho reúne reggae, ska, rock
pesado, pop de sabor oitentista e até um pouquinho de MPB, na medida certa (como
se sabe, há que não carregar muito na MPB para manter uma boa receita de rock…).

Musicalmente o Scracho difere de muitas bandas de sua geração principalmente
pela consistência de sua cozinha – que é como músicos chamam o casamento
da bateria e do baixo - muito bem pilotada, e sempre com muito peso e precisão, pela
Debora e pelo Caio. As guitarras, violões e vozes do Diego e do Gabriel também pontuam
com muita sensibilidade e invenção as canções do disco.

Sensibilidade e invenção que não faltaram ao produtor Kiko Peres ao compreender
que um disco do Scracho deve ser ouvido na melhor tradição de velhos
discos de reggae: rebeldia e inconformismo sempre embalados por doce música,
amores intensos, pulsação vigorosa e a consciência de que, se a Babilônia atrai e trai,
no final, se a música for boa, tá tudo bem.

Mesmo que não esteja tudo bem, ou que tudo se resuma a questões ao vento,
vida que segue e coisas que passam e ficam, vale a pena descobrir os muitos mundos e
a música única do Scracho.

Nem que seja só pra ver no que vai dar."

Resenha de Tony Belloto, que dispensa apresentações, para o álbum "Mundo a Descobrir", do grupo Scracho

 



Escrito por Rogério Reis às 02h53
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"Já dizia o Eclesiastes, há dois mil atrás, debaixo do sol não há nada novo não seja bobo, meu rapaz; Mas nunca vi Beethoven fazer aquilo que Chuck Berry faz"

Autor: Raul Seixas

Buscar na Web "Raul Seixas"



Categoria: Citação
Escrito por Rogério Reis às 02h19
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O Pão e Circo dos desfiles de 7 de setembro

Por Leonardo Sakamoto, no seu blog em: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br

Agradeço a Alá o fato de não ter interiorizado o que disciplinas como Educação Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira, restolhos utilizados pela ditadura, tentaram me dizer – apesar dos fantásticos professores que tentaram dar outro sentido ao malfadado currículo. Nunca entendi como algumas escolas se preocupam mais em ter alunos que saibam o hino à bandeira do que compreender Guimarães Rosa. Os leitores poderão dizer que já tratei deste assunto aqui antes – e eles estarão corretos. Mas a preparação para as comemorações deste 7 de setembro me fizeram desenterrar a reflexão.

Quando pequeno, lembro-me de ir a apenas um desfile do Dia da Independência, na avenida Tiradentes, aqui em São Paulo. E, mesmo assim, não ter ficado o suficiente para entender o que aquele bando de gente agitando bandeirinhas estava fazendo por lá. Uma das maiores contribuições dos meus pais foi exatamente ter me poupado de toda essa papagaiada patriótica.

Sei que datas como essa servem para compartilhar (ou enfiar goela abaixo) elementos simbólicos que, teoricamente, ajudam a forjar ou fortalecer a noção de “nação”. Mostrando que somos iguais (sic) e filhos da mesma pátria – mesmo que a maioria seja tratada como bastardos renegados.

Por isso, me pergunto se essas datas não poderiam ser, na verdade, um momento de reflexão sobre nós e como estendemos o direito à dignidade a todos que habitam este território. Ao invés de passarmos em revista nossas forças armadas – que ainda vivem sob a herança da ditadura, carregadas de algumas pessoas cheias de pó que se mantém feito gárgulas a tudo observar e criticar, cantando loas a feitos inexistentes – poderíamos nos juntar para discutir a razão de chamarmos indígenas de intrusos, sem-teto e sem-terra de criminosos, camponeses de entraves para o desenvolvimento e imigrantes bolivianos de vagabundos. Ou reivindicar que o terrorismo de Estado praticado durante os anos de chumbo seja amplamente conhecido, contribuindo – dessa forma – para que ele não volte a acontecer.

O melhor de tudo é que, todas as vezes que alguém levanta indagações sobre quem somos e a quem servimos ou conclama ao espírito crítico sobre o país, somos acusados de não amar o país, no melhor estilo “Brasil: ame-o ou deixe-o” dos tempos da Gloriosa.

Não amo meu país incondicionalmente. Mas gosto dele o suficiente para me dedicar a entendê-lo e ajudar a torná-lo um local minimante habitável para a grande maioria da população. Gente deixada de fora das festas principais, entregues ao pão e circo de desfiles com tanques velhos e motos de guerra remendadas. Mas que, quando voltam para casa, encaram a realidade da falta, da ausência, da dificuldade e da fome.

Qual a melhor demonstração de amor por um país? Vestir-se de verde e amarelo e se enrolar em uma bandeira? Ou ter a pachorra de apontar o dedo na ferida quando necessário?

Ama a si mesmo, por outro lado, os que se escondem do debate, usando como argumento um suposto “interesse nacional” – que pode ir do petróleo (EUA) ao etanol (Brasil) – que, na verdade, trata-se de “interesse pessoal” (aliás, somos craques em criar discursos que justificam a transformação de interesses de um pequeno grupo em questão de interesse público). Se questionados, correm para trás da trincheira fácil do patriotismo.

Que, afinal de contas, como disse uma vez o escritor inglês Samuel Johnson, “é o último refúgio de um canalha”.

Original em: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2012/09/07/o-pao-e-circo-dos-desfiles-de-7-de-setembro/



Escrito por Rogério Reis às 12h15
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